Estresse: como ele interfere saúde das crianças?

Nos últimos anos tenho notado um aumento significativo do estresse nas crianças na minha clínica diária. O estresse infantil tem obtido grande destaque no cenário científico constituindo um campo relativamente novo de pesquisa.

Na verdade, não tenho notado estresse somente nos adolescentes e crianças, mas também tenho notado nos pré-escolares e lactentes e isso tem me preocupado extremamente como pediatra, pois as pesquisas cada vez mais apontam como ele, o estresse, interfere não só na saúde mental, mas também na saúde física de nossas crianças.

Um certo nível de stress é necessário para nossa sobrevivência e adaptação ao meio, porém em uma condição permanente de stress o organismo libera mais cortisol, hormônio este que em maior quantidade pode inibir as defesas do organismo. Associam-se a esses fatores, os fatores genéticos, experiências emocionais desenvolvidas durante a vida e a reação individual de cada criança a esses estressores.

As crianças são extremamente vulneráveis aos fatores estressores no decorrer de suas vidas principalmente pela imaturidade emocional em lidar com situações conflitantes, portanto, quando são expostas a eventos que excedem sua capacidade de adaptação ocorrem alterações psicológicas, físicas e químicas em seu organismo. Essas alterações, quando não tratadas a tempo e adequadamente, podem agravar-se e atingir níveis devastadores para a saúde física e mental das mesmas.

Os principais meios de suporte que as crianças têm para enfrentar seus desafios e conseguirem enfrentar de forma saudável os fatores estressores no decorrer de suas vidas são a FAMÌLIA e a ESCOLA e é aí que devem ser tomadas as providências para minimizar e se possível evitar o estresse permanente.

Estudos mostram que os maiores sintomas decorrentes do estresse infantil estão na área psicológica, mas também interferem e muito com a saúde física. Como exemplo temos, a Asma, doenças autoimunes, doenças da pele, obesidade, entre outras.

Há uma variedade de sintomas decorrentes do estresse que são mais conhecidos como: dor de barriga, diarreia, dor de cabeça, falta ou excesso de apetite, ansiedade, hiperatividade, gagueira, déficit de atenção, irritabilidade, agressividade, impaciência, dificuldades de relacionamento, introversão, enurese noturna, bruxismo, pesadelos, insegurança, medo exagerado, etc.. E porque isso ocorre?? Devido à quebra do equilíbrio interno do organismo (também chamado de homeostase) no esforço em lidar com uma situação e adaptar-se a ela.

A maneira como a criança vai conseguir lidar com seus fatores  estressores é que vai determinar sua resistência ás tensões da vida adulta, e determinar a presença ou não de doenças tanto na esfera física quanto psíquica uma vez que, se o meio ambiente lhe impuser a necessidade de exibir uma resistência acima de sua capacidade de lidar com a situação pela sua imaturidade emocional isto é o que vai lhe causar doença.

O fundamento da terapia nestas situações está em conseguir com que a criança desenvolva habilidades adequadas e eficientes de enfrentamento das situações estressantes inevitáveis em sua vida. A medida que a criança for capaz de perceber seus estressores e de desenvolver habilidades adequadas e eficientes para enfrentar suas dificuldades por conta própria poderá controlar seu estresse de forma satisfatória.

É importante também salientar que a criança não se desenvolve de forma saudável apenas sendo poupada do contato com os estressores. Uma criança que é superprotegida de fatores conflitantes não terá como se preparar para o mundo atual, do mesmo modo como uma criança exposta ao estresse excessivo não tem como se fortalecer e desenvolver estratégias de enfrentamento.

Espero ter ajudado!

Até o próximo artigo.

Dra. Cláudia Lobo Cesar

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